A Odisseia de Arthur C. Clarke

Por Carol em 21 de fevereiro, 2015

Como fã de carteirinha do Kubrick que sou, após ver o filme “2001: uma odisséia no espaço”, tive a curiosidade de ler o livro homônimo, que foi escrito por Arthur C. Clarke em parceria com Stanley e publicado no ano de 1968, meses após o lançamento do filme.

Galáxia - 2001: uma odisseia no espaço

O projeto inicial dos dois era escrever um roteiro para um filme de ficção científica, porém sem as restrições típicas deste modelo. E, portanto, desejavam, num primeiro momento, escrever um material que pudesse ser adaptado posteriormente para o cinema. Na prática, isso não foi possível e os dois projetos acabaram sendo desenvolvidos simultaneamente. Clarke, então, em paralelo com a elaboração do roteiro, resolveu estender o seu trabalho e detalhar ainda mais a história a ponto de transformá-la em livro, com a constante troca de idéias entre os dois colaboradores.

A obra foi baseada em 2 contos previamente escritos por Clarke: “A sentinela” e “Encontro no alvorecer”, e começou a ser desenvolvida em 1964, ou seja, no início da era espacial e antes mesmo do norte-americano Neil Armstrong tornar-se o primeiro homem a tocar o solo lunar. O projeto, portanto, era bastante ousado na época visto que o conhecimento espacial ainda era muito limitado. E nota-se que o livro tem exatamente esta preocupação, e foi extremamente bem construído de forma que mesmo após a evolução tecnológica espacial e o conhecimento adquirido logo nos anos seguintes, ele não se tornasse obsoleto.

O livro é muito bem escrito e não se limita a uma simples obra de ficção, mas suscita muitas reflexões sobre a posição do homem no universo e o desenvolvimento tecnológico que adquirimos até o momento. O fato do autor ser formado em matemática e física, além de manter contato freqüente com especialistas da NASA, ajudou bastante a tornar a experiência muito mais próxima do real. As descrições são muito precisas, mas nunca aprofundadas em termos técnicos, o que eu achei que poderia ser um problema, tornando a leitura difícil e lenta – o que não aconteceu. E o ritmo é bem diferente do criado por Stanley no filme, e em certos momentos você simplesmente passa horas lendo sem perceber.

A obra apresenta muitos mais detalhes acerca dos alienígenas e dos monolitos, e uma descrição muito mais minuciosa da viagem através do portal estelar. Estes pontos foram suprimidos propositalmente no filme de forma a torná-lo mais enigmático e subjetivo, fora que na época não existia tecnologia de efeitos especiais tão desenvolvida para criar esse ambiente.

Particularmente, fiquei um pouco decepcionada com o desfecho do livro, que parece sugerir uma continuação para a história. As sequências, ao meu ver, são desnecessárias pois acabam restringindo o leitor a possíveis interpretações e reflexões. Confesso que estou um pouco relutante em ler, porque acho muito mais interessante o desfecho da adaptação para o cinema.

Não li muitos livros de ficção científica e, inclusive, este é o primeiro livro do Sir Arthur C. Clarke que leio, mas após a experiência, fiquei com muita vontade de conhecer outras obras do autor. Apesar do meu problema pessoal com o fim deste livro, a leitura foi muito satisfatória e eu sinceramente recomendo para qualquer pessoa, sendo fã ou não do gênero.

Carol

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  • O único ponto que eu discordo é em relação à continuação do livro. Imagino que um escritor sabe q a história q ele escreveu já está boa como acabou e q uma continuação não é necessária. Só q não dá p segurar rs…as vezes tu quer escrever mais coisa, continuar a construir o enredo e os personagens. O Clarke mesmo nao se importava muito com a coerência, várias coisas da história ele alterava de um livro pro outro, conforme a vontade dele, reescrevia fatos ou ignorava outros q ja tinha escrito no livro anterior, e ele assumia isso sem problemas…Acho que é um exercício de imaginação constante, e livre. No caso do Clarke, sempre nesse tema espacial, das luas de júpiter (eu acho, ja faz mt tempo q li), de descobrir ql a função do monolito…
    Fora q eu, pessoalmente, tenho uma fraqueza pra continuações rs…sempre querendo saber oq vai acontecer depois.

    • Tudo bem que possa ser um exercício de imaginação, pode ser difícil de segurar a vontade de escrever mais. Mas isso não quer dizer que o produto final seja bom, ou que ele devesse ser feito. Eu gosto de um final satisfatório e bem feito. Prefiro isso do que continuações com pouco propósito.