Battlefield Hardline uma fuga da série.

Por Douglas Baptista em 21 de fevereiro, 2015

Battlefield Hardline Beta foi lançado nesta terça feira para a plataforma Xbox 360. E eu, como fã de longas batalhas da série, estava ansioso para jogar mais esse lançamento. Portanto, relembrarei todos os clássicos da série e farei uma análise a respeito do que achei do game. Vale lembrar que essa análise é restrita apenas ao console Xbox 360.

A série Battlefield teve inicio em setembro de 2002 e foi fruto de uma parceria da gigante EA Games com a Dice. O primeiro game foi Battlefield 1942 trazendo uma simulação jamais vista da segunda guerra mundial. Nesse mesmo ano, jogos como Duke Nukem, Soldier of Fortune, Tom Clancy’s e outros que tinham propostas semelhantes dominavam o mercado. No entanto 1942 trazia uma simulação de guerra mais próxima da realidade, e em minha opinião foi um dos primeiros jogos multiplayers com mapas mais interessantes. O jogo não caiu no esquecimento e ainda teve mais duas expansões, o que prolongou a dedicação do público para com o game.

Somente em 2004 os desenvolvedores resolveram lançar um novo jogo, utilizando novamente um tema conhecido em nossa história. Battlefield Vietnam trazia toda a cultura da época: armas, terrenos históricos e claro os famosos helicópteros. Alguns até tocavam Fortunate Son do Creedence.

No ano seguinte surgiu Battlefield 2, na minha opinião o melhor game da série. O jogo foi um sucesso chegando a registrar 2.250.000 cópias vendidas no mundo. Referência por trazer uma carreira militar como patentes, medalhas, uniformes, veículos e outros. O modo multiplayer foi pioneiro em trazer mapas que abrigavam até 64 jogadores, trouxe também expansões que complementavam a experiência do jogo por mais distintas fossem suas histórias. Por exemplo, a expansão Especial Force que trazia um jogo com acessórios táticos como flash bang, visão noturna e outros.

Ao final de 2006, a parceria surgiu com um novo jogo da série, com uma temática futurista. A proposta interessante veio com o modo Titan, que dependia da união das equipes. No entanto, o jogo não foi tão bem quanto esperado por sair do padrão da série. Apesar de um gráfico bem superior ao BF2, o jogo não vingou.

Battlefield 2 ainda reinava no PC mesmo pós lançamento do Battlefield 2142, acredito que por conta do número de players e servidores do BF2. E a parceria não anunciou nenhum novo jogo até 2009. Neste ano foi lançado o Battlefield Heroes, jogo que também fugiu do clássico simulador histórico e buscou um gráfico mais cartoon. Ele começou a ser desenvolvido pela DICE e foi abandonado tempos depois. Apesar de possuir belos gráficos o jogo não solicitava nenhuma grande configuração e por isso podia ser jogado por qualquer máquina simples, no entanto os servidores eram hospedados pela Microsoft e eram um desespero no Brasil em tempos de internet Banda Larga de 2 megas.

Sem planos de lançamento para PC, a desenvolvedora investiu no que acredito ter sido os dois maiores fracassos de toda a série. Battlefield 1943 Pacific foi um game chato e cansativo. Lançado exclusivamente para Xbox e Playstation, o jogo trazia poucos mapas e apenas o modo conquista. O mais frustrante era o fato dos bonecos não sangrarem; entretanto, trouxe Wake Island, um mapa que é prata da casa. Outro fracasso foi Battlefield 2 Modern Combat, lançado apenas para videogame.

Sem grandes lançamentos para plataformas Xbox e Playstation, a desenvolvedora apostou no que já era bom. Foi então lançado Battlefield Bad Company, no mesmo espaço de tempo que Battlefield 2 com gráfico notavelmente superior, novos mapas e, claro, muitas outras novidades. Em 2010 a empresa resolveu continuar dando origem a sequência Battlefield Bad Company 2 para todas plataformas. O jogo inovou trazendo ambientes destrutíveis, o que até então era algo revolucionário, já que em outros jogos um lança míssil não derrubava nem porta.

Eu pensei que já tinham ido muito longe com Bad Company 2, até jogar o Battlefield 3 que trazia uma engine nova, a Frostbite 2, que permitia níveis ainda maiores de destruição. O game buscou uma experiência muito próxima a de Battlefield 2 e trouxe uma série de complementos que realmente faziam sentido, além de possuir um mecanismo de configuração da arma. Com essa configuração é possível definir quais acessórios você utilizará no seu fuzil, como lanterna ou mira infravermelha.

Por volta do final do ano, a DICE anunciou mais um game da série, Battlefield 4 traria um gráfico mais próximo da realidade e mapas que sofressem alterações climáticas que interferem na jogabilidade. Todo esse novo mecanismo foi possível graças a última atualização da engine Frostbite 3 que também foi utilizada no Battlefield Hardline.

Falando em Hardline, vamos ao que interessa. Na última terça feira, a Microsoft anunciou que estaria disponível o Beta. Eu confesso que não dormi e deixei baixando os 3 gigas de jogo. Vale lembrar que o BETA não traz o gráfico final, é repleto de bugs e serve apenas como gostinho para o que virá.

Vou avaliar o jogo em alguns pontos como: interface, jogabilidade, carreira multiplayer e modos. Todos esses pontos foram os que mais me marcaram no game e são os que na minha opinião irão causar maior impacto nos fãs.

Interface

Ao contrário do Battlefield 3 e 4, que trazem uma interface bem semelhante, o novo jogo da série não traz a mesma experiência. Aqui a paleta de cor é bem clara, o menu é bem simples e suas animações são leves. Ao contrário dos dois últimos games, neste as imagens são mais concretas e não tão abstratas. O que mantiveram foram os feixes de luz e os reflexos solares. Enquanto você visualiza o menu é possível ver atrás um trailer do jogo.

Algo que foi melhorado é o modificador de kit. Diferente dos outros, neste é possível visualizar suas possibilidades de combinação de forma mais clara. Outra novidade é a formação do seu esquadrão/pelotão antes mesmo de entrar na sala.

Jogabilidade

A minha primeira partida no jogo foi bem complicada, os controles mudaram bastante e talvez por isso eu não tenha conseguido acompanhar tão bem o jogo. Ações como deitar e abaixar são ordenadas através do B e não mais do RS. Outra mudança são os comandos presentes desde o BF2, o RB não é mais responsável pela faca, agora pressionando este botão você pode spotar/dedurar um inimigo ou gerar uma fala como (Preciso de médico, muito obrigado, me siga). Dificilmente eu procuro modificar os botões padrões e talvez isso gere um desconforto em quem ainda joga o Battlefield 3.

O movimento como corrida parece estar mais real, a interação do personagem com os objetos está mais interessante também. Já que agora é possível se debruçar na janela de um carro, quebrar o vidro do veículo para atirar, abrir e fechar portas e outros. Os veículos estão incríveis, o helicóptero de transporte tem uma partida mais real e a pilotagem também, já que a medida que o veículo vai sendo danificado problemas técnicos vão acontecendo até a sua derrubada. Pilotar o carro no Beta foi broxante, fazer curvas é como pilotar uma caixa de papelão e espero realmente que os pneus estourem quando sair do Beta.

Jogar de sniper é mágico e agora você precisa de fato calibrar sua sniper antes de atirar, são distâncias de 200 metros acima e é notável que o tiro realmente tem uma trajetória mais real. A granada e outros objetos também são mais interessantes. Mesmo em fase Beta os movimentos do personagem, com os equipamentos que carrega, se tornaram bem mais próximos da realidade.

Por conta da nova engine, é de se esperar que as mudanças climáticas ainda impressionem, o recurso foi lançado no Battlefield 4. Tempestades de areia e inundações prometem deixar o jogo bastante interessante.

Nada de sair correndo por ai atirando pensando que está no Team Death Match, o dano das armas pareceu ser bem mais real, no modo clássico o jogo te pressiona a ser mais cauteloso e buscar proteções que vão de muretas a esgoto de casas. Espero que as interações com armas brancas sejam diversificadas, matei alguns players com taco de baseball e foi bem tosco.

Sempre que você está ferido manchas de sangue surgem nos cantos da tela e dificulta a visão, é o tipo de coisa que eu nunca gostei nem em jogos de terror.

As classes continuam as mesmas, as mudanças se aplicam mais a alguns acessórios novos que buscam determinar seu estilo de jogo. Diferente dos dois últimos jogos, agora você pode escolher suas armas brancas e, acredite, são muitas. Você consegue estes e outros itens através da moeda que você ganha durante suas ações no jogo, matar um adversário te paga algumas moedas que podem ser trocadas por packs ou diretamente por itens de customização. É possível até vender itens, claro por preços bem reduzidos.

Carreira Multiplayer

Como era de se esperar a carreira nesta edição é longa e conta com uma série de badges, ribbons e medalhas. Interessante é a inovação das novas gratificações, já que o jogo não busca uma metodologia militar, as patentes foram adaptas para símbolos policiais. É notável que o nível de pontuação é bem maior do que antes, já que agora você recebe ponto até mesmo por acertar um veículo. Uma série de gratificações foram adicionadas para parabenizar alguns feitos inusitados como explodir carros.

Esse talvez seja um ponto extra para o game, por trazer premiações baseadas em interações que nem todos esperam, o jogo acaba por trazer bonificações divertidas e curiosas.

Não tive a oportunidade de desbloquear todas as armas e acessórios, mas deu pra notar que o jogo contará com muito equipamento exclusivo. Boa parte destes nunca esteve presente em antigas séries, como o bastão de baseball ou pé de cabra. Pelo menos na versão beta não houve nenhuma animação presente ao matar ou morrer com alguma arma branca.

Diferente dos tradicionais pontos que desbloqueiam armamentos e acessórios, você também pode acumular grana que é utilizada para comprar armamentos ou packs. Então além dos itens desbloqueáveis você conta também com pacotes que lembram os famosos packs de jogadores do Fifa 15.

Modos

A equipe responsabilizada pelo game disponibilizou apenas 3 modos de jogo que são o tradicional conquest, o hotwire que é uma espécie de pique pega com carro e o Heist que na minha opinião tem grandes chances de ser o queridinho da série e desbancar o tradicional conquest. Acredito que pela temática do jogo ser uma coisa mais cotidiana, apesar das mentiras grotescas propostas, o modo heist é mais interessante até por ser bastante estratégico e acredito que até mais que o Conquest.

Hotwire é o modo zuão do jogo, na verdade eu achei bem fraco. Você precisa pegar um carro e correr o máximo que puder, o desafio é fugir da polícia pelo mapa e não danificar seu carro a ponto dele explodir e sua equipe ficar sem veículo. Confesso que até pegar o jeito do modo eu tentava entrar em qualquer carro jogado no mapa, até entender que os carros tem uma pintura específica e tem a representação no mapa. Prepare-se para morrer atropelado e ver veículos em plena queda livre de pontes, pois nesse modo não existe muita coisa fazendo sentido e o objetivo de equipe é bem duvidoso.

O modo conquest me surpreendeu, esperava uma partida bem tradicional e divertida. Pelo contrário, o modo se tornou muito mais interessante pelo fato do mapa te proporcionar uma experiência mais real de uma conquista. Talvez pelo fato do dano de uma arma ser bem mais real, agora é bem mais complexo tomar uma bandeira já que as formas de proteger seu território mudaram. Ter cautela não basta, você precisa do apoio do time e de muita tática para invadir prédios e casas, já que é possível entrar em sótãos e terraços.

Plus + Tradução

A versão Beta para o Brasil saiu apenas com menu traduzido e algumas legendas. As falas por hora não apresentaram nenhuma tradução e é bem capaz de utilizarem alguma celebridade para doar suas vozes ao jogo, já que vem sendo um costume da EA trazer em suas traduções celebridades que pertencem aquela região. Um exemplo disso foi o ator André Ramiro e Dan Stubalch que dublaram personagens em Battlefield 4.

Conclusão

Acredito que Battlefield Hardline é um ótimo jogo que foge da clássica série militar da empresa, no entanto por ter uma experiência com os outros jogos, tenho duvidas se esse será um sucesso como Battlefield 3 ou Battlefield 2. Quando a EA decidiu fugir da linha já lançada com o Battlefield 2142 e Battlefield Heroes era como vender um jogo totalmente diferente, mas que levava o nome da série. Acho interessante a iniciativa, mas ao mesmo tempo me incomoda.

Quem é fã sabe que Battlefield Hardline poderia ser um jogo totalmente diferente sem vinculo com a linha, o game está mais próximo de um GTA V em primeira pessoa do que uma simulação de guerra. Sim, eu entendo que o objetivo do jogo não é esse, mas então por que um roubo de banco destruiria prédios e outras coisas grotescas que acontecem ao decorrer do trailer de divulgação.

Algo que me incomodou muito foi não ter visto nenhum civil andando pela cidade, o que nos leva a crer que estamos em uma cidade fantasma. Quem jogou jogos como Payday onde o objetivo é o furto, sabe que Battlefield 4 foge bastante da representação de um assalto a banco.

A EA já anunciou ter planos para um Battlefield 6 no ano de 2016 com tema militar, isso  me levou a crer que eles entendem que a série tem uma identidade e sempre que ela é burlada, alguma coisa sai dos eixos.

E quanto a você, fez parte do Beta no PC, Xbox, Playstation ou ainda está tomando coragem? Vá em frente, se inscrevam na Battlelog acessando aqui e nos conte o que achou! Se já tirou sua prova dos nove, poste aqui sua experiência com o game!

Douglas Baptista

Sobre Douglas Baptista

Carioca, magro e com cara de indiano. Me aventurando em questões filosóficas do ser ou não ser um designer, acredito na ideia de uma sociedade sem critérios e hierarquias. Onde a máquina de xérox não pertença apenas ao estagiário.

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  • Oq eu fiz foi jogar Battlefield 1942 até ter tendinite. Mas foi o único da série q realmente gostei