Carta ao pensamento intolerante

Por Anônimo em 04 de julho, 2015

A sua opinião de mim depende do que eu faço no meu quarto, com a minha companheira.

A minha escolha de quem levar para a cama te incomoda, e define se você me odeia e hostiliza, ou me chama de irmão.

Eu não posso viver o resto da minha vida com a pessoa que eu amo porque você acha que é errado? E você ainda se ofende quando eu comemoro a conquista de um direito que nunca deveria ter sido tirado de mim.

Você atira pedras naquela que se veste de uma maneira que não te agrada. E se a roupa é pouca, é motivo pra ser tirado dela o direito de consentir. Ela não pode ter prazer, ela não pode escolher. Aliás, pior ainda se for negra – aí nem bem-sucedida ela pode ser.

Ela deve se comportar como uma menina de família. Porque menina de família não saí dando por aí.

E de família tradicional que é aquela que você diz que é, porque a minha não é. A sua religião diz que sim, mas a minha não importa.

Eu não quero a sua “tradicionalidade”. “O Brasil que queremos” é o Brasil que você quer. Você bate o pé, diz que estou errado, e proíbe a discussão. E ainda me chamam de ditador por lutar pelos mesmos direitos que você já tem.

Eu não te odeio, mas queria que me deixasse em paz.

A verdade é que não preciso de você. E às vezes acho que tem medo, porque cada vez mais existem pessoas como eu, e os seus aliados começam a desaparecer num universo ultrapassado.

Sou Laura Vermont. Sou Maju Coutinho. Sou hétero e gay, homem e mulher. Eu sou aquele que sonha com um mundo livre, que me permita ser como eu quiser, e amar a quem eu quiser – quando eu quiser.

E um dia eu vou vencer.

me-deixa-ser

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