Tchau Netflix, olá PopCorn!

Por Douglas Baptista em 13 de abril, 2015

Não tenho o costume de fazer propagandas de serviços ou muito menos programas digitais, mas preciso compartilhar com vocês algo que conheci e melhorou muito os meus finais de semana. Lembrando que não quero fazer nenhuma apologia – hahahahaha – a pirataria, mas gostaria de levantar um discussão a respeito de como as empresas poderiam receber os problemas de mercado.

No final de 2014 conheci o então site PopCorn 1 e foi pela dica de um bom amigo que sempre foi fanático por torrent, mas não foi a primeira vez que havia conhecido algum grupo de compartilhamento de arquivos e tudo mais. Anos atrás eu conheci um fórum chamado P2M Brasil 2 2 e nele havia uma comunidade gigante que compartilhava arquivos em Peer 2 Mail e também contribuía monetariamente para que aquilo tudo funcionasse. Sim, há um gasto muito grande com servidores, hospedagens e obviamente com a equipe por de trás da organização. Achava interessante como a comunidade funcionava, mas de certa forma me incomodava ter pessoas com cargos e pessoas como eu que eram tratadas como membros comuns e não podiam fazer nada além de baixar e contribuir com dinheiro. Para entrar não era tão prático, pois você precisava de um convite e tudo parecia mais uma sociedade secreta.

Bom obviamente aquilo tudo foi brutalmente caçado e teve seu fim após os responsáveis serem procurados pela justiça acusados de crime – que eu nem quero me aprofundar – o interessante é que naquela mesma época já era notável que locadoras diminuíam cada vez mais. Algum tempo depois eles voltaram, enfraquecidos e sem tanta credibilidade de que permaneceriam em atividade por mais tempo.

O tempo passou e a tecnologia mudou, com ela as formas de se baixar um filme também e finalmente novas empresas que ofereciam internet banda larga surgiram. Bom e aonde eu quero chegar? Eu já não ligava a TV para assistir notícias, ver meus programas e nem tão pouco ver filmes. Ainda nesse conceito eu descobri o Netflix aqui no Brasil em 2012 e passei a assinar o serviço que no inicio até me satisfazia por eu acessar ele de qualquer tipo de dispositivo. Ao decorrer do tempo eu via o quanto aquilo era desnecessário já que os filmes eram em sua grande parte antigos.

netflix

Descobri o PopCorn e eis que meus finais de semana mudaram, o programa era absolutamente incrível e contava com um reprodutor de mídia bastante prático. Ele mesmo encontrava as legendas dos filmes, me indicava quais torrents tinham mais seeds, a biblioteca de mídia era incrível e o que eu achei mais interessante era que todo o desenvolvimento era aberto para colaboração. Tudo bem que eu sou suspeito para falar sobre plataformas colaborativas, mas esse tipo de iniciativa não vemos todos os dias.

popcorntime

Essa semana eu li uma notícia que a Apple perdeu a briga em bloquear o Pop Corn, acontece que a equipe da ferramenta torrent conseguiu desenvolver um instalador dentro do próprio site. Sim, eu também buguei com isso. A equipe disse estar preparada para os ataques da Apple e provavelmente o Netflix também deve entrar na briga.

Ainda que seja uma forma ilegal de disponibilizar conteúdo e entendo que pessoas trabalharam para que aquilo ganhasse vida, mas realmente gosto da eterna discussão do que deve ser livre e o que não deve ser. Acho que isso motiva as prestadoras de serviço a melhorarem seu comportamento para algo singular. Um exemplo foi a recente briga entre o cantor Jay-Z e o aplicativo de música Spotify e alguns até criticaram o cantor pela iniciativa.

Não vejo a postura do rapper de má forma, aliás gostei muito do posicionamento do cantor em relação ao aplicativo concorrente. Se o problema são os aplicativos que fornecem mídia de maneira aberta – sim, ainda que cobre valor mínimo para o acesso – por que não oferecer algo melhor ao público e cobrar por isso. Pensando nisso o Jay-Z comprou uma plataforma que já existia e a aperfeiçoou, o Tidal trará novos recursos e também disponibilizará vídeos e músicas com qualidade acima do que o rival traz.

tidal

Bom e o que isso tem a ver com o PopCorn e o Netflix? Tudo, combater o PopCorn com bloqueios e ações juridiciais não fará a “pirataria” acabar. Deveriam estudar formas de oferecer o material digital de uma maneira mais prática e com qualidade alta a estes usuários. Talvez se o Netflix investisse em uma melhor biblioteca de filmes e também em outros recursos assim como o Tidal fez, com toda certeza o serviço seria ainda melhor.

De todas as formas eu sei que o Netflix não mudará esse posicionamento arcaico e que ele ainda ganhará muito dinheiro, pois existem pessoas que o veem como um serviço completo. O Pop Corn agora está disponível também para dispositivos e isso aumentará ainda mais a lista de possibilidades da plataforma.

E quanto a você, utiliza algum destes serviços e tem alguma posição em relação a estas empresas? Acredita que essa iniciativa deve ser enquadrada com algo ilegal, se sim compartilhe conosco sua opinião!

Douglas Baptista

Sobre Douglas Baptista

Carioca, magro e com cara de indiano. Me aventurando em questões filosóficas do ser ou não ser um designer, acredito na ideia de uma sociedade sem critérios e hierarquias. Onde a máquina de xérox não pertença apenas ao estagiário.

Antes de comentar, lembre-se de nossas regras e recomendações! Lá você também encontra as informações para escrever suas próprias matérias para o Olingüeto.

  • Acho engraçado você falar no Netflix como um “posicionamento arcaico”. Sua principal crítica a essa forma legal de consumir filmes e séries, é sobre a sua seleção (que é fraca). Nada falou sobre a maneira como o material é oferecido ou a qualidade dele.

    Não tem muito tempo que o Hastings (CEO do Netflix), falou que gostaria que seu catálogo fosse o mesmo para o mundo inteiro, e esse é um dos desafios da companhia agora. Não acho que estão satisfeitos com a situação atual.

    http://www.ign.com/articles/2015/04/13/netflix-boss-believes-global-service-will-cut-down-on-piracy

    Na verdade, apesar de você achar “arcaico”, o Netflix – para mim – é uma das plataformas inovadoras que tem trilhado um caminho (seguido por outros) em direção à um futuro no qual a experiência paga na internet é simplesmente melhor do que o oferecido pela pirataria. E essa acho que é a questão principal mostrada pelo seu texto.

    Sobre isso, gosto sempre de mostrar a Steam como referência. A plataforma da Valve (de biblioteca e loja de jogos), oferece um serviço muito bom para os jogadores de PC/MAC/Linux. Não vejo vantagem (a não ser financeira), em adquirir uma cópia ilegal de um jogo qualquer.

    A questão financeira também é algo que muito dificilmente será completamente removida. Por mais que algumas plataformas – como Youtube e Twitch da vida – utilizem as propagandas para pagar seus produtores de conteúdo, a produção do produto oferecido no cinema é muito mais cara do que os desse tipo de site. Ou seja, esse é um ponto mais complexo.

    Mas no geral, acredito que o Netflix segue por um caminho muito interessante, que não me faz querer apoiar iniciativas como a do Popcorn. Mesmo que alguns não achem ideal, essa plataforma mostra que é possível fazer algo, que não infrinja as leis, mas que atenda as necessidades de seu público por um custo menor.

    Outro ótimo exemplo de como isso pode dar certo, é o que a NBA faz com o League Pass. Esse é um serviço streaming para assistir aos jogos ao vivo, que utilizo a 3 anos para acompanhar a liga. Por um custo muito menor do que seria se eu pagasse os 4 canais brasileiros que passam a liga pelo meu provedor, tenho acesso a todos os jogos, quando quiser, onde quiser e podendo trocar entre todos eles à vontade.

    Por último, gostaria de adicionar que o Netflix encara o Popcorn Time como um competidor – assim como será o serviço da HBO. Então, duvido muito que eles sejam quem vai procurar por meios legais de combater essa plataforma. Olhando para eles como competidores, vão procurar maneiras de se diferenciar e melhorar o serviço.

    http://www.theverge.com/2015/1/21/7868645/netflix-lists-popcorn-time-as-competitor

    Portanto, acredito que existem maneiras sim, de não precisarmos de um Popcorn Time da vida, e deposito confiança no Netflix.

    Beijocas

    • Douglas Martins

      Sim, seu ponto de vista é muito bom! Concordo em partes com o que falou, mas o Netflix parece estar em uma zona de conforto – mesmo que não esteja. Usando o mesmo exemplo que deu a Steam traz muitos jogos novos no mercado por um preço normalmente abaixo do que se espera, tem grandes promoções e isso desperta interesse em quem apoia a plataforma.

      Eu por exemplo prefiro pagar R$ 100,00 e jogar online durante um ano e receber promoções da Live (serviço da Microsoft). Basicamente eu só optei por pagar o serviço por que eles estão sempre inovando, trazendo novos jogos e boas promoções. Não é o que acontece no Netflix, demora uma década para trazerem algo interessante e a biblioteca é muito fraca.

      Esse é o ponto, no momento em que o Jay Z oferece um serviço (Tidal), com qualidades técnicas ‘superiores’ ao Spotify, ele não está só oferecendo um serviço e sim O SERVIÇO. Isso que falta ao Netflix, pois fazer o que ele faz outros já estão fazendo no mercado (ilegal ou legal), acho apenas que o posicionamento da empresa poderia ser mais inovador. Acho que o investimento em uma boa biblioteca é apenas um dos tantos passos.

  • Giovanna Freitas

    Achei interessante seu posicionamento. Sou usuária assídua de Netflix faz um tempo e o que me atraiu foi simplesmente o seguinte: tenho uma internet muito fraca por limitações do lugar onde moro. Pra mim é quase impossível assistir qualquer coisa no PopCorn Time, enquanto Netflix roda sem problema algum. Faz sentido? rs

    Essa questão da biblioteca com filmes antigos eu concordo e também me incomoda, mas acho que a vantagem do PopCorn em relação a isso é desleal. No Netflix a exibição do filme depende da licença de direitos de transmissão, no PopCorn não existe essa “burocracia” toda, se é que você me entende.. rs. Alem do mais, o Netflix enfrenta, ainda, uma guerra declarada com os cinemas, que são totalmente contra a exibição de filmes novos no catálogo (por motivos óbvios).

    Enfim…Acho que o Netflix sabe que pode perder o mercado para iniciativas como a do PopCorn, e, por conta disso, tem buscado inovar indo alem e oferecendo conteúdo original de ótima qualidade como House of Cards, Marco Polo e etc.

    Li em uma matéria, no final do ano passado, que eles anunciaram que fariam estreias de filmes de forma simultânea com os cinemas. Se eles seguirem por esse caminho acho que a disputa vai ficar acirrada.

    • Acho que “a disputa vai ficar acirrada” só no sentido dos cinemas perderem uma parcela de público, e a tendência de cinemas fechando continuar. Acho que eventualmente o cinema se tornará uma forma de entretenimento mais pra um nicho de pessoas que não abre mão da telona e som potentes, da imersão…pq não é algo q possa ser replicado em casa. Eu mesmo não vou no cinema há muito tempo, prefiro curtir filmes que quero ver em casa mesmo, e a razão de não usar nenhum dos dois serviços é q me parece que a oferta dos dois não é muito boa, pra mim. Acho que eu faço parte de um público que só vai ao cinema quando tem realmente muito interesse em ver um filme dentro da experiência que o lugar proporciona. Meu último foi Interestelar e acredito que o próximo vai rolar só no fim do ano, com Star Wars 7